Ultrassom obstétrico de rotina: o que é, quando fazer e o que ele avalia na gestação

Durante a gravidez, o ultrassom é um dos exames mais esperados pelas famílias. É o momento de ver o bebê, acompanhar seus movimentos e observar seu crescimento. Mas, além da emoção envolvida, a ultrassonografia obstétrica tem um importante papel médico no acompanhamento da gestação.
No consultório, recebo muitas perguntas sobre esse exame: quando fazer o primeiro ultrassom? Quantos ultrassons são necessários durante a gravidez? O ultrassom obstétrico comum consegue ver se está tudo bem com o bebê? Qual é a diferença entre o ultrassom de rotina e o morfológico? E quando é necessário fazer Doppler?
Eu entendo essas dúvidas. Ao longo da minha prática médica, acompanhando milhares de gestantes, percebo que muitas mulheres realizam diferentes exames durante o pré-natal, mas nem sempre sabem exatamente o objetivo de cada um deles.
O ultrassom obstétrico de rotina, também chamado simplesmente de ultrassom obstétrico, permite avaliar diferentes aspectos do bebê e da gestação, como crescimento fetal, atividade cardíaca, quantidade de líquido amniótico, localização da placenta e posição do bebê.
Mas é importante compreender que nem todos os ultrassons realizados durante a gravidez têm o mesmo objetivo. O ultrassom obstétrico de rotina, o ultrassom morfológico e o estudo com Doppler, por exemplo, respondem a perguntas diferentes.
Neste artigo, vou explicar de forma clara o que é o ultrassom obstétrico de rotina, quando ele pode ser feito, o que conseguimos avaliar e quais são os limites desse exame.
O que é o ultrassom obstétrico de rotina?
O ultrassom obstétrico de rotina é um exame de imagem utilizado para avaliar o bebê, a gestação, a placenta e o líquido amniótico.
O exame utiliza ondas sonoras para produzir imagens em tempo real e não emprega radiação ionizante. Quando utilizado de maneira adequada e com finalidade médica, o ultrassom é considerado uma importante ferramenta para o acompanhamento da gestação.
Dependendo da idade gestacional e do motivo do exame, posso avaliar:
- número de bebês;
- localização da gestação;
- presença de atividade cardíaca;
- idade gestacional;
- crescimento do bebê;
- posição fetal;
- localização da placenta;
- quantidade de líquido amniótico;
- alguns aspectos da anatomia do bebê.
O objetivo do exame muda conforme o momento da gravidez. Um ultrassom feito com 7 semanas, por exemplo, responde a perguntas diferentes de um exame realizado com 30 semanas.
Por isso, não existe simplesmente um único “ultrassom da gravidez”. Cada fase da gestação tem suas particularidades, e diferentes exames podem ser necessários para responder a diferentes perguntas.
Quando fazer o primeiro ultrassom na gravidez?
Essa é uma das perguntas que mais recebo.
No início da gestação, o ultrassom pode ser realizado para avaliar aspectos como:
- localização da gravidez;
- número de embriões;
- presença de atividade cardíaca, quando já esperada para aquele estágio de desenvolvimento;
- tamanho do embrião;
- estimativa da idade gestacional.
Antes das 13 semanas, o exame é geralmente realizado pela via transvaginal, pois o bebê ainda é muito pequeno e essa via permite uma visualização mais detalhada das estruturas.
Isso não significa que exista algum problema com a gestação. É apenas uma questão técnica: no início da gravidez, a proximidade da sonda com o útero geralmente oferece melhores condições para visualizar estruturas muito pequenas.
Uma questão importante é que um ultrassom realizado cedo demais pode ainda não mostrar tudo o que a gestante espera ver.
Entre 4 e 5 semanas, por exemplo, pode ser possível visualizar somente o saco gestacional e a vesícula vitelina. Em torno da sexta semana, o embrião e sua atividade cardíaca costumam começar a ser identificados, embora isso dependa da idade real da gestação, do tamanho do embrião e das condições técnicas do exame.
Por isso, um exame muito precoce que ainda não mostre o embrião ou a atividade cardíaca não deve ser interpretado isoladamente. Em algumas situações, simplesmente ainda é cedo e pode ser necessário repetir o ultrassom posteriormente.
O que o ultrassom obstétrico avalia?
A resposta depende da idade gestacional. De maneira geral, o ultrassom obstétrico pode avaliar diferentes aspectos da evolução da gravidez e do desenvolvimento do bebê.
Atividade cardíaca
Nos exames iniciais, podemos identificar a atividade cardíaca do embrião quando ela já é esperada de acordo com seu estágio de desenvolvimento.
Em exames muito precoces, é importante evitar conclusões precipitadas. Quando ainda não é possível identificar a atividade cardíaca, pode ser indicado repetir o ultrassom após um intervalo adequado, considerando os achados do primeiro exame e o contexto clínico.
Número de bebês
O ultrassom permite identificar se a gestação é única ou gemelar.
Nas gestações de gêmeos, uma informação especialmente importante é determinar precocemente se os bebês compartilham ou não a mesma placenta e a mesma bolsa amniótica. Essas características influenciam a forma como a gestação será acompanhada.
Idade gestacional e provável data do parto
No início da gravidez, a medida do embrião é muito útil para estimar com maior precisão quantas semanas a gestante realmente tem. O primeiro trimestre é considerado o período mais preciso para estabelecer ou confirmar a idade gestacional por ultrassom.
Essa informação é importante porque, a partir dela, acompanhamos todo o restante da gestação.
É com base na idade gestacional que avaliamos, por exemplo, se o bebê está crescendo como esperado, se determinadas medidas estão adequadas para aquela fase e quando alguns exames devem ser realizados.
Por isso, ter uma boa definição da idade gestacional desde o início ajuda a evitar dúvidas e interpretações equivocadas mais adiante no pré-natal.
Crescimento do bebê
Conforme a gestação avança, realizamos medidas de diferentes partes do bebê, como cabeça, abdome e fêmur.
A partir dessas medidas, é possível estimar o peso fetal e comparar o crescimento com o esperado para aquela idade gestacional.
Mas existe um ponto que sempre gosto de explicar às gestantes: o peso calculado pelo ultrassom é uma estimativa, e não uma medida exata.
O bebê não está sendo colocado em uma balança dentro do útero. Utilizamos fórmulas matemáticas baseadas nas medidas realizadas durante o exame e, naturalmente, existe uma margem esperada de variação.
Posição do bebê
O ultrassom também permite identificar a posição do bebê dentro do útero. Ele pode estar, por exemplo:
- cefálico, com a cabeça voltada para baixo;
- pélvico, ou seja, sentado;
- transverso;
- ou em outras posições.
No início e no meio da gestação, o bebê ainda pode mudar de posição diversas vezes. Por isso, descobrir que ele está sentado com 20 ou 24 semanas, por exemplo, não significa que permanecerá assim até o parto.
Placenta
O ultrassom também permite observar a localização da placenta.
Ela pode estar na parede anterior, posterior, lateral ou em outras posições dentro do útero. Ter uma placenta anterior não significa que exista algum problema.
Em algumas situações, avaliamos também a relação da placenta com o colo do útero e outras características que podem precisar de acompanhamento específico.
Líquido amniótico
O líquido amniótico envolve o bebê durante a gravidez e também pode ser avaliado pelo ultrassom.
Alterações na quantidade de líquido podem estar relacionadas a diferentes condições maternas, fetais ou placentárias, mas precisam sempre ser interpretadas considerando todo o contexto da gestação.
Com quantas semanas é feito o ultrassom obstétrico?
O ultrassom obstétrico pode ser realizado em diferentes momentos da gravidez. Não existe uma única idade gestacional para fazer o exame, porque cada fase permite responder a perguntas diferentes.
No início da gestação
Antes das 13 semanas, o exame é geralmente realizado pela via transvaginal para permitir uma visualização mais detalhada, já que o bebê ainda é muito pequeno.
Nesse período, o ultrassom pode ajudar a avaliar a localização da gestação, o número de bebês, a atividade cardíaca e a idade gestacional.
Entre 11 semanas e 13 semanas e 6 dias
Essa é a importante janela para a realização do ultrassom morfológico do primeiro trimestre, exame que possui objetivos específicos e não deve ser confundido com o ultrassom obstétrico comum.
No segundo trimestre
No segundo trimestre, temos uma importante janela para a realização do ultrassom morfológico, que tem como principal objetivo estudar de maneira detalhada e sistematizada a anatomia do bebê.
As diretrizes da ISUOG consideram que o ultrassom fetal de rotina do segundo trimestre pode ser realizado aproximadamente entre 18 e 24 semanas, dependendo das condições técnicas e dos protocolos utilizados.
Para a realização dos cálculos de risco no segundo trimestre pelo programa específico utilizado na minha prática, a janela vai de 19 semanas completas até 23 semanas e 6 dias.
Na minha experiência, considero que a qualidade da visualização costuma ser especialmente boa entre 22 semanas e 23 semanas e 6 dias, quando muitas estruturas já estão mais desenvolvidas e ainda costumamos encontrar boas condições para a avaliação anatômica detalhada.
No terceiro trimestre
No terceiro trimestre, novos exames podem ser indicados para acompanhar:
- crescimento do bebê;
- quantidade de líquido amniótico;
- placenta;
- posição fetal;
- e, quando necessário, a circulação materna e fetal por meio do Doppler.
A frequência desses exames deve ser individualizada. Uma gestação de baixo risco pode ter necessidades diferentes de uma gestação gemelar ou de uma gestação com hipertensão, diabetes, alteração do crescimento fetal ou outras condições clínicas.
Quantos ultrassons uma gestante deve fazer durante a gravidez?
Não existe um número único que seja ideal para todas as gestantes.
O que sabemos é que a ultrassonografia possui papéis diferentes ao longo da gravidez, porque cada período permite responder a perguntas específicas.
No início, o exame pode ajudar a confirmar a localização da gestação, avaliar a atividade cardíaca e estabelecer a idade gestacional.
No primeiro trimestre, existe uma janela importante para o ultrassom morfológico.
No segundo trimestre, o morfológico permite uma avaliação detalhada da anatomia fetal.
No terceiro trimestre, dependendo da evolução da gestação, novos exames podem ser indicados para acompanhar crescimento, líquido amniótico, placenta e circulação materno-fetal.
A Organização Mundial da Saúde recomenda a realização de ultrassonografia antes de 24 semanas por seus benefícios na avaliação da idade gestacional, identificação de gestações múltiplas e detecção de algumas alterações. Isso não significa que um único ultrassom seja suficiente para acompanhar toda a gestação. Diferentes exames podem ser necessários em momentos distintos, conforme a fase da gravidez e as características de cada paciente.
Na prática, a quantidade e a frequência dos exames podem variar conforme:
- condições de saúde da mãe;
- histórico obstétrico;
- tipo de gestação;
- evolução do crescimento fetal;
- localização da placenta;
- achados de exames anteriores;
- intercorrências durante a gravidez.
Por isso, eu considero mais importante perguntar “qual é o objetivo deste ultrassom?” do que simplesmente contar quantos exames foram feitos.
Cada exame deve ter uma finalidade.
Qual é a diferença entre ultrassom obstétrico e ultrassom morfológico?
O ultrassom obstétrico de rotina é um exame com objetivo diferente do ultrassom morfológico.
O ultrassom obstétrico de rotina geralmente avalia aspectos como crescimento do bebê, atividade cardíaca, posição fetal, placenta, líquido amniótico e outras informações de acordo com a idade gestacional e a indicação clínica.
Já o ultrassom morfológico é um exame mais detalhado e sistematizado, realizado em períodos específicos da gravidez, com atenção especial à anatomia fetal e, dependendo da fase da gestação, a determinados marcadores.
No morfológico do primeiro trimestre, entre outras avaliações, pode ser realizada a medida da translucência nucal e a análise de diferentes estruturas e marcadores.
No morfológico do segundo trimestre, é realizado um estudo sistemático e mais detalhado da anatomia do bebê.
Por isso, ter realizado vários ultrassons obstétricos de rotina não significa que o ultrassom morfológico possa ser dispensado, pois cada exame tem um objetivo diferente.
Ultrassom obstétrico e ultrassom com Doppler são a mesma coisa?
Não.
O Doppler é um recurso utilizado para estudar o fluxo sanguíneo em determinados vasos maternos, fetais ou placentários.
Dependendo da fase da gravidez e da indicação clínica, podem ser avaliados vasos como:
- artérias uterinas;
- artéria umbilical;
- artéria cerebral média;
- ducto venoso;
- entre outros.
Cada vaso responde a uma pergunta diferente.
Por isso, dizer simplesmente que “o Doppler está normal” sem saber quais vasos foram estudados e qual era o objetivo daquela avaliação pode ser uma informação incompleta.
O Doppler pode ser utilizado, por exemplo, na avaliação da circulação placentária, no acompanhamento do crescimento fetal e na investigação de determinadas condições da gravidez.
Um ultrassom normal garante que o bebê não tem nenhuma alteração?
Não. E eu considero muito importante falar sobre isso com clareza.
Um ultrassom normal é uma informação tranquilizadora, mas nenhum exame é capaz de excluir absolutamente todas as doenças, síndromes, alterações genéticas ou problemas que possam surgir durante a gestação.
Algumas condições podem não provocar alterações visíveis ao ultrassom. Outras podem surgir ou tornar-se aparentes apenas posteriormente.
A capacidade de visualizar determinadas estruturas também pode ser influenciada por fatores como:
- idade gestacional;
- posição do bebê;
- quantidade de líquido amniótico;
- biotipo materno;
- tipo de alteração;
- qualidade do equipamento;
- outras condições técnicas do exame.
Isso não reduz a importância da ultrassonografia. Significa apenas que precisamos compreender corretamente o papel e os limites de cada exame.
Meu objetivo durante uma ultrassonografia não é simplesmente “tirar fotos do bebê”, mas buscar responder da melhor forma possível às perguntas importantes para aquela fase da gestação.
O ultrassom faz mal para o bebê?
A ultrassonografia utiliza ondas sonoras e não emprega radiação ionizante.
O exame é amplamente utilizado durante a gravidez e, quando realizado de maneira adequada, por profissionais capacitados e com finalidade médica, é considerado uma ferramenta segura e importante para o acompanhamento pré-natal. As recomendações internacionais orientam seu uso responsável e com objetivos clínicos definidos.
Precisa estar de bexiga cheia para fazer ultrassom obstétrico?
Depende da idade gestacional e da via utilizada para realizar o exame.
Em algumas situações do início da gravidez, especialmente em exames realizados pela via abdominal, a bexiga cheia pode ajudar na visualização.
No exame transvaginal, geralmente é solicitado que a paciente esvazie a bexiga.
Com o avanço da gestação, na maioria dos ultrassons obstétricos realizados pela via abdominal, não costuma ser necessário manter a bexiga cheia.
Como os protocolos podem variar conforme a situação, é importante seguir as orientações do serviço onde o exame será realizado.
Precisa de jejum para fazer ultrassom obstétrico?
Em geral, não é necessário fazer jejum para realizar um ultrassom obstétrico.
Quando existem outros exames associados ou situações clínicas específicas, podem ser fornecidas orientações diferentes.
FAQ: perguntas frequentes sobre ultrassom obstétrico
1. Com quantas semanas já dá para ver o bebê no ultrassom?
Isso depende da idade real da gestação, do tamanho do embrião, do tipo de equipamento utilizado e da via pela qual o exame é realizado.
No início da gravidez, as estruturas aparecem progressivamente. Entre 4 e 5 semanas, pode ser visualizado apenas o saco gestacional e, em seguida, a vesícula vitelina. A partir de aproximadamente 6 semanas, o embrião costuma começar a ser visto, dependendo do seu tamanho e das condições técnicas do exame.
Por isso, um ultrassom realizado muito cedo pode ainda não mostrar o embrião, mesmo em uma gestação que esteja evoluindo normalmente.
2. Com quantas semanas dá para ouvir ou ver o coração do bebê?
A atividade cardíaca pode ser identificada no ultrassom já em torno da sexta semana de gestação, mas o momento exato varia conforme a evolução individual da gravidez.
Em exames muito precoces, ainda pode ser cedo demais para identificá-la. Por isso, a ausência de atividade cardíaca em um único ultrassom inicial não deve ser interpretada isoladamente.
Quando ainda não é possível identificar os batimentos, pode ser indicado repetir o exame após um intervalo adequado, de acordo com os achados observados e a orientação médica.
3. O ultrassom obstétrico consegue mostrar o sexo do bebê?
Sim, dependendo da idade gestacional e da posição do bebê.
A partir de aproximadamente 16 semanas, a genitália externa já costuma estar suficientemente desenvolvida para permitir a identificação do sexo pelo ultrassom. No entanto, a visualização pode depender da posição fetal, da quantidade de líquido amniótico, do biotipo materno e de outras condições técnicas do exame.
Por isso, mesmo após 16 semanas, nem sempre é possível definir o sexo em uma única avaliação.
4. O ultrassom obstétrico comum vê malformações?
Algumas alterações podem ser percebidas em um ultrassom obstétrico de rotina. No entanto, o exame especificamente destinado ao estudo sistemático e detalhado da anatomia do bebê é o ultrassom morfológico.
Por isso, um ultrassom obstétrico normal não substitui necessariamente o exame morfológico.
5. Fiz um ultrassom e estava tudo normal. Ainda preciso fazer o morfológico?
Sim, porque o ultrassom obstétrico de rotina e o ultrassom morfológico têm objetivos diferentes.
O exame obstétrico de rotina avalia aspectos como crescimento do bebê, atividade cardíaca, placenta, líquido amniótico e posição fetal, de acordo com a fase da gestação.
Já o ultrassom morfológico segue um protocolo mais detalhado e sistematizado para avaliar a anatomia fetal e, dependendo do período da gravidez, determinados marcadores específicos.
Por isso, um ultrassom obstétrico de rotina normal não substitui automaticamente o morfológico.
6. Posso fazer ultrassom todo mês?
Algumas gestantes realizam ultrassons com maior frequência por indicação clínica, enquanto outras não precisam do mesmo número de exames.
A frequência deve ser definida de acordo com as características de cada gestação, o histórico materno, os achados de exames anteriores e a presença ou não de condições que exijam acompanhamento mais próximo.
O mais importante não é apenas a quantidade de ultrassons realizados, mas o objetivo de cada exame.
7. O peso do bebê no ultrassom é exato?
Não. O peso fetal mostrado no ultrassom é uma estimativa.
Ele é calculado por meio de fórmulas matemáticas baseadas em medidas realizadas durante o exame, como as dimensões da cabeça, do abdome e do fêmur do bebê.
Por isso, existe uma margem esperada de variação entre o peso estimado pelo ultrassom e o peso real do bebê.
8. Se o bebê estiver sentado no ultrassom, significa que será cesárea?
Não necessariamente.
Especialmente nas fases mais iniciais e intermediárias da gestação, o bebê pode mudar de posição diversas vezes dentro do útero.
Por isso, encontrar o bebê sentado em um ultrassom realizado muitas semanas antes do parto não significa que ele permanecerá nessa posição até o final da gravidez nem define, isoladamente, a via de parto.
9. Placenta anterior é perigoso?
Na maioria das vezes, não.
Dizer que a placenta é anterior significa apenas que ela está implantada na parede da frente do útero. Isso, isoladamente, não representa uma doença nem significa que exista algum problema com a gestação.
Como em qualquer gravidez, é importante evitar traumas importantes na barriga. A localização anterior da placenta, por si só, não significa que a gestante precise viver com medo ou fazer repouso apenas por esse motivo.
10. O bebê pode estar saudável mesmo se não aparecer tudo no ultrassom?
Sim.
Às vezes, determinadas estruturas não podem ser avaliadas adequadamente por causa da posição do bebê, da quantidade de líquido amniótico, do biotipo materno ou de outras limitações técnicas do exame.
Isso não significa, por si só, que exista alguma alteração.
Dependendo do caso e da importância da estrutura que não pôde ser visualizada, pode ser recomendado repetir o exame em outro momento para tentar completar a avaliação.
O que eu gostaria que toda gestante soubesse sobre o ultrassom obstétrico
Depois de milhares de exames realizados, uma das coisas que mais percebo é que a ansiedade frequentemente nasce da falta de informação.
Uma medida no laudo, uma palavra desconhecida ou a recomendação de repetir um exame podem gerar uma preocupação enorme quando aparecem sem contexto.
Por isso, acredito que a ultrassonografia obstétrica deve ir além da produção de imagens e números.
A gestante merece compreender o que está sendo avaliado, para que serve aquele exame, quais são os principais achados e quais são os limites da ultrassonografia.
O acompanhamento da gravidez não deve ser visto como uma sequência de exames isolados. Cada ultrassom faz parte de uma história que começa no início da gestação e evolui ao longo das semanas.
Meu papel como médica radiologista com atuação em ultrassonografia obstétrica é justamente olhar para essas imagens com conhecimento técnico, mas sem esquecer que, do outro lado da tela, existe uma mulher vivendo uma das fases mais importantes e, muitas vezes, mais vulneráveis de sua vida.
É por isso que acredito que informação clara também faz parte do cuidado.
Referências
- American College of Obstetricians and Gynecologists (ACOG). Methods for Estimating the Due Date. Committee Opinion. O ACOG considera a ultrassonografia do primeiro trimestre o método mais preciso para estabelecer ou confirmar a idade gestacional.
- International Society of Ultrasound in Obstetrics and Gynecology (ISUOG). ISUOG Practice Guidelines: performance of the routine mid-trimester fetal ultrasound scan. Ultrasound in Obstetrics & Gynecology.
- World Health Organization (WHO). Imaging ultrasound before 24 weeks of pregnancy: 2022 update to the WHO antenatal care recommendations for a positive pregnancy experience.
- American College of Obstetricians and Gynecologists (ACOG). Management of Suboptimally Dated Pregnancies. Committee Opinion.
- International Society of Ultrasound in Obstetrics and Gynecology (ISUOG). Practice Guidelines for performance of the routine mid-trimester fetal ultrasound scan.
- International Society of Ultrasound in Obstetrics and Gynecology (ISUOG). Practice Guidelines: ultrasound assessment of fetal biometry and growth.

Dra. Winni Scardua
Radiologista • CRM-ES 13.754 • RQE 124.65
Sou médica radiologista com atuação em ultrassonografia obstétrica e pediátrica. Ao longo da minha carreira, já realizei mais de 40 mil exames de imagem, acompanhando milhares de gestantes, recém-nascidos e crianças em diferentes momentos da vida.
Além da minha experiência clínica, busco manter uma prática baseada em evidências científicas, aliando conhecimento técnico, atualização constante e uma comunicação clara com as famílias.
Criei este blog porque acredito que informação de qualidade também faz parte do cuidado. Meu objetivo é traduzir a linguagem médica para que pais e mães compreendam melhor os exames solicitados para seus filhos, tomem decisões mais informadas e se sintam mais seguros durante essa jornada.



